
3 matérias publicadas nesses dias foram suficientes pra provocar o post mais longo até hoje. O tema é a indústria fonográfica. Por quê diabos fazer e viver de música se tornou um esporte radical, algo alcançável apenas para mágicos ou super-heróis?
Calma meu amigo, não se assuste com o tamanho do texto. Ative sua barra de rolagem e venha comigo.
A primeira matéria saiu no Estadão do último domingo, e dispara: "A indústria fonográfica está morta".
Ela trata do novo livro de Norman Lebretch, chamado Life and Death of Classical Music, lançado recentemente nos EUA e na Inglaterra. É sobre música clássica, mas podemos aplicar suas idéias a qualquer outro gênero. Lebretch é um crítico feroz à forma de comercialização da música, e parece vibrar de alegria ao constatar que a "Indústria da Música" está agonizando, que as majors não sabem o que fazer pra sobreviver e que o artista e fã cada vez estão mais próximos, sem a presença de intermediários e sem a necessidade dessa indústria. Um fato engraçado é que o próprio autor considera sua análise do mercado uma "autópsia pos-mortem". Que lindo!
Já na edição de segunda-feira do mesmo Estadão, meia página de destaque para o lançamento do novo disco da Vanessa da Mata. Matéria bacaninha. Lá no final dizem que a repórter viajou à convite da gravadora. Creio que pagar pra repórter falar bem do "seu" artista é uma das poucas alternativas que restam pra conseguir vender discos. Mas vale a pena, afinal, a Vanessa da Mata está em alta, é queridinha do grande público, teve o mega-hit do ano passado, até de cabelo joãozinho ela é linda. A matéria enche a bola da menina, das novas músicas, do disco mais maduro, tudo perfeito! Agora vai, Habemus Sperare! Será?
Como diria a própria Vanessa, ai, ai, ai...
Porém, quero destacar 2 iniciativas da Sony/BMG - da qual a Vanessa da Mata é contratada - e que me chamaram a atenção. A primeira é que vi no Youtube o username da gravadora. Ou seja, é ela própria que publica os vídeos oficiais de seus artistas, com um padrão de qualidade garantido por eles e pelos autores, ao menos é o que parece. A outra é o lançamento da Vanessa sair no formato EP, com apenas 5 músicas (acreditem, escolhidas pela cantora!) e com preço - impresso na capa - de R$ 9,99! E quem quiser as outras músicas pode adquiri-las no próprio site da gravadora. Achei interessante a proposta, que pode não durar muito, mas que pelo menos é uma alternativa bem melhor do que lançar CDs com proteção anti-cópias, por exemplo.
Com tudo isso na cabeça, recebo do meu grande amigo Thomaz, baterista do 2DF e lenhador canadense, uma matéria que saiu na Superinteressante desse mês, chamada "Mais criatividade. Menos patrões." Escrita pelo André Barcinski, a matéria se aprofunda em alguns "casos de sucesso" dessa nova era do consumo de música. Aponta muito bem que a música não está em crise. Quem está em crise é a indústria da música. Ainda mostra que nunca se ouviu tanta música no planeta, nem se vendeu tanto ingresso para shows. Exatamente como Lebretch, decreta o fim dos intermediários e cita duas fontes importantes: Os livros "The Future of Music", de David Kusek e Gerd Leonhard, e o já clássico "The Long Tail: Why the Future of Business is Selling Less of More", de Chris Anderson.
Não conheço a fundo o livro da dupla Kusek e Leonhard, mas fiquei com vontade de lê-lo, por abordar a ascensão dos artistas e da música nos novos formatos. Já o Long Tail trata do caminho lucrativo da informação através dessa web que amamos e para os negócios que queremos. Resumindo, esses livros indicam os dois pilares para esse futuro: O artista e o público.
Era aqui que eu queria chegar: finalmente, estamos vivendo o início de uma época onde o artista é quem decide o que fazer com sua obra. Sem a necessidade de gravar suas músicas num estúdio imponente, nem de milhões de fãs pra fazer "sucesso", os artistas independentes ressurgem, mas agora independentes no sentido real da palavra, e não apenas para fazer frente a queridinhos de multinacionais.
Agora, vale mais o produzir a si próprio, e produzir do seu jeito, cada um dono do seu nariz. Claro que ninguém faz nada sozinho, mas a vovó já dizia que é melhor trabalhar com pessoas de confiança, que conheçam o assunto e principalmente que entendam e respeitem o trabalho do artista. E não com aventureiros que vislumbram um mundo de sonhos do show business.
Mas vem a pergunta: "E depois? O que fazer depois que mostrei o dedo pras gravadoras, gravei meu CD por conta própria e estou com prateleiras lotadas dele aqui na minha casa, só a mamãe elogiando?"
Calma, meu garotinho juvenil. Aí valem as dicas da cauda longa.
Primeiro, descubra seu público. Não importa se ele é pequeno, se é só sua família, ou se sua comunidade no orkut tem algumas centenas de camaradas. O importante é descobrir quem são essas pessoas e quais suas características.
Feito isso, fale com elas da maneira mais direta possível. Mostre que você sabe do que elas gostam e que você faz o que elas gostam. A web funciona pra isso e é uma boa maneira, se não a mais eficiente, por permitir um contato direto com quem se interessa pelo seu trabalho e por não ter custos elevados. Se houver uma verba de investimento, melhor ainda. Um bom site não faz mal a ninguém.
Da mesma forma, idéias criativas não precisam mais de horário nobre na televisão pra serem reconhecidas. Quem gosta de seu trabalho, além de fã, vira automaticamente um divulgador. E na maioria dos casos, um divulgador extremamente eficiente. Propaganda boca-a-boca sempre funcionou e sempre funcionará, pois vem com voto de confiança.
Depois de descobrir seus fãs e falar com eles, vem a parte boa. É hora de convidá-los para seus shows e mostrar ao que veio. Se tem algo no mundo da música que não será susbtituído - a não ser que você queira, e, nesse caso, não me chame - é a presença física, a energia de um artista expressando seu trabalho ao vivo. Sua música é a sua Hattori Hanzo, o sabre de luz do jedi, o gol mil do Romário. Não tem igual.
A matéria do Barcinski cita alguns exemplos de como isso dá certo. Já o meu exemplo preferido é o do Gnarls Barkley, pelas boas músicas e pelas idéias audiovisuais, como um clipe bem bacana e o Chewbacca tocando bateria. Uma idéia que parece besta, mas mais besta sou eu, que não pensei nisso antes...
Vale a pena dar uma olhada, de repente cai um caqui na sua cabeça e alguma idéia surge. Já que caqui tem se dado bem com música ultimamente, por quê não tentar?
Depois a gente conversa mais dessas coisas...
29.5.07
The Long Post
24.5.07
Meus irmãos são loucos
Ontem tive o privilégio de ouvir as músicas do novo cd do Seychelles, com o Argentino e o Fábio Pinc lá no estúdio 12 Doláres. Não tem como não gostar.
Seguindo com experimentalismo e psicodelia nas composições, a galera acertou uma boa fusão entre as idéias muito loucas de sempre, uma sonoridade mais madura e riffs que dão uma flertada com o indie-pop, sem abusos. Tem tudo pra cair no gosto do povo!
Quem vai nos shows já conhece a maioria das músicas, mas tem surpresa mesmo pra quem acompanha a banda mais de perto.
É isso. Não posso falar mais, prometi sigilo.
Em breve, pertinho da sua casa!
22.5.07
Cartões Postais

Ontem, 21 de maio, foram lançados oficialmente os documentários integrantes do projeto Documentários dos Bairros de São Paulo, iniciativa da Prefeitura para revisitar a história dos tradicionais bairros da cidade. Os documentários serão incluídos no acervo dos CEU's, de Escolas Municipais, da TV Cultura e Canal Futura.
Ótima iniciativa. Já que muitos falam da memória curta do brasileiro, nada melhor para as novas gerações tomarem contato com a história dos bairros onde nasceram e vivem. Dentre os 26 bairros selecionados, sinto a ausência do Ipiranga, bairro onde me instalei quando cheguei em Sampa. O local onde o Pedrinho proclamou a chamada Independência do país merecia melhor homenagem.
Uma menção especial para o curta Vila Prudente - Um Gigante Adormecido, de Alexandre Carvalho, diretor da Tamago. A parceria entre a Tamago e o Alê vêm desde o curta Portas da Cidade, também um documentário sobre a São Paulo dos anos 40 e 50. O filme ganhou diversos prêmios, no Brasil e no exterior, e foi exibido na TV Cultura esse ano (!), no aniversário da cidade. Vale a pena.
O Alê dirigiu também o clipe Nosso Lugar Invisível, da banda paulistana Fuga, em 2006.
Outro documentário que participa do projeto dos bairros é Capela do Socorro: O Balneário de São Paulo, de Pedro Gorski, amigo de breves, mas bons encontros.
Espero que outras iniciativas dessas surjam, mas que, acima de tudo, esses filmes sejam utilizados de fato, e não apodreçam em armários de escolas mal-conservadas.
Agora, bairro bom, mas bom mesmo, é a Vila Mariana.
17.5.07
Inspiração...
Muita gente me pergunta: "que diabos é esse Intiprod, Inticom que você usa?"
Respondo: são apenas apelidos para o David virtual, inspirados na palavra Inti, que significa Sol em quechua, a lingua original dos Incas.
Viajou? Então te ajudo.
Para o povo Inca, o Sol era a fonte de toda existência, a Grande Criação e o Espírito Supremo. Era chamado de Inti, antes de serem dizimados pelos espanhóis. Mesmo assim, essas antigas tradições são mantidas não só no próprio Peru, como expandidas em outros países da Ámerica, inclusive no Brasil, pra felicidade desse que vos fala. Falaremos mais desse assunto outro dia.
Só sei que achei bonita toda essa história, e por isso resolvi usar o prefixo Inti para as minhas aventuras pelos blogs e flogs da vida. Devaneios...
O resto, os sufixos, são só abreviações relacionadas com as áreas por onde passeio. IntiPROD(produções), intiCOM(inti.com), intiBLOG(hmm, boa idéia hein?), intiOQUEVIERNATELHA.
Devaneios...
16.5.07
Por que é proibido pisar na grama?
A frase que dá título a este espaço é de um texto de 1971, do grande mestre Jorge Duílio Lima Meneses.
Na minha opinião, um texto marcante e atual, que demonstra bem os diversos anseios de um indivíduo, as paixões e a constante busca pela felicidade. O lamento (entidade onipresente nessa vida), as carências e as indagações diante de privações das coisas mais simples, como um pé descalço num gramado acolhedor.
Com destaque para o início do texto, o início de tudo: Acordei. Abri meus olhos. Já é um bom começo.
Outro ponto importante é a busca. Preciso de muitas coisas, um grito de gol, cuidar dos meus bisnetos, matar saudades e de gente que me ouça. Você também? Vida dura essa...
Por tudo isso, elegi esse texto como referência para os tópicos a serem tratados aqui. E tem muito assunto!!!
Com vocês, "Por que é proibido pisar na grama?", de Jorge Ben:
Acordei com uma vontade de saber como eu ia
E como ia meu mundo
Descobri que além de ser um anjo, eu tenho cinco inimigos
Preciso de uma casa para minha velhice
Porém preciso de dinheiro pra fazer investimentos
Preciso às vezes ser durão, pois eu sou muito sentimental, meu amor...
Preciso falar com alguém que precise de alguém prá falar também
Preciso mandar um cartão postal para o exterior, para o meu amigo Big Joney
Preciso falar com aquela menina de rosa, pois preciso de inspiração
Preciso ver uma vitória do meu time, se for possível, vê-lo campeão
Preciso ter fé em Deus e me cuidar
E olhar minha família
Preciso de carinho pois eu quero ser compreendido
Preciso saber que dia e hora ela passa por aqui
E se ela ainda gosta de mim...
Preciso saber urgentemente:
Porque é proibido pisar na grama?
15.5.07
Preciso de dinheiro pra fazer investimentos...
E quem não precisa???
Os meus investimentos são feitos, no lado profissional, na Tamago Audiovisual, em parceria com meu amigo Cauê Ueda. A Tamago possui dois braços, um voltado para cinema e vídeo, com especialidade em videoclipes, shows, vídeos institucionais e curta-metragens. O outro braço da Tamago é voltado para a consultoria em elaboração de softwares e usabilidade. Pra mim uma área nova, mas que vêm me agradando muito. Estamos só começando...
Mas não é só isso. Paralelamente, sou o contato comercial da Kzulo Design, agência de publicidade da qual meu grande amigo e cumpadre Alexandre Moraes é Diretor de Arte. Jah live!!
E, como ninguém é de ferro, seguimos com nossos amigos músicos, compositores e produtores musicais, divulgando, vendendo shows e ajudando do jeito que dá. Agora mais por hobby e por diversão. Acreditem, é muito mais legal assim.
Isso sem falar nas outras idéias e parceiros com os quais vamos tramando a revolução em silêncio. Podemos dizer com certeza que a revolução não passará na TV. Será via web mesmo.
Em tempo: Tamago (pronuncia-se tamagô) é uma palavra japonesa, quer dizer Ovo.
14.5.07
Acordei com uma vontade...
... de começar, finalmente, o blog. Fazia tempo que estava com tudo na mão, uns amigos até me dando bronca que ainda não tinha começado, muitos outros blogs, fotologs e afins me inspirando. Mãos à obra.
Não vai ter jeito, será multimeios. Um pouco dos meus interesses: vida, comportamento, cultura, e mais o que vier na telha.
Vamos ver no que vai dar!!!
Bjos!
David