7.12.07

Sexa-feira


Tenho recebido algumas reclamações - boas - sobre a baixa frequência de posts aqui no blog. Não é por falta de assunto, pois inspiração não falta para questionar esse mundo que criamos, mas senão por um hábito meu de querer sempre trazer "O assunto" pra este espaço. Fico esperando o assunto perfeito e quando vou ver passou um mês e eu não postei nada.

"Fala de quem te inspirou", me disseram esses dias. Pois bem. Aproveitando que hoje é uma sexta-feira chuvosa e o melhor programa pra hoje é não fazer nada, transcrevo aqui um singelo questionamento do grande Luis Fernando Veríssimo, um dos autores que inspirou a criação desse blog. Boa Sexa-feira pra vocês.

Sexa

Luís Fernando Veríssimo


- Pai…
- Hmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe. Porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- É. Não! O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer… Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculina seria "O pal…"
- Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri…
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática.

23.11.07

Da série Rai e Cai



Gravata enforcou o Funk
Groove perdeu opção
Na falta de inspiração
Sigo o manifesto Junk...



Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family.
Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself. Choose your future. Choose life.



Os boletos avisaram
O sonho se transformou
Em pipoca pro macaco

Sorte deles, que aumentaram
Pois lá em casa só aumentou
O tamanho meu saco

19.11.07

A Luz Veio


"A luz veio. Estás curado e podes curar.
A luz veio. Estás salvo e podes salvar.
Estás em paz e trazes a paz contigo aonde quer que vás.
A escuridão, o tumulto e a morte desapareceram. A luz veio.

Celebramos hoje o final feliz do teu longo sonho de desventuras.
Agora, já não há sonhos escuros. A luz veio.
Começa hoje o tempo da luz para ti e para todos.
É uma nova era na qual um novo mundo nasceu.
O velho mundo não deixou nenhum vestígio à sua passagem.
Hoje, vemos um mundo diferente porque a luz veio."

(A Course in Miracles, book II, pg. 140)


Seja feliz hoje.
Não se atenha ao passado.
Substitua suas mágoas por milagres.
Hoje.

23.10.07

Halo Jesus!!


Uma matéria do New York Times destaca um fato que eu nunca poderia imaginar, nem nos mais escatológicos dos filmes B. Igrejas protestantes dos Estados Unidos (onde mais?!), com o objetivo de levarem mais jovens para dentro de seus cultos (ui!), têm promovido sessões do famoso e sanguinolento jogo Halo dentro das igrejas.

Segundo a Organização cristã americana Dare to Share, a idéia de utilizar o jogo para congregar os jovens é aproveitar as situações do game como uma base para discussões do bem e do mal. Enquanto isso, crianças de 12 anos vêm se deliciando com a possibilidade de matar virtualmente. Lembremos que a classificação indicativa para o Halo nos Estado Unidos é de 17 anos. Tim Foster, o tal garoto de 12 anos declarou o porquê do sucesso do game: "Simplesmente, é divertido explodir pessoas".

Ok, não será banindo os jogos de ação e violência que teremos a salvação do mundo, mas fiquei com uma pulga atrás da orelha. Primeiro que a igreja adquire e libera os jogos pra molecada que não tem idade para fazê-lo por conta própria. É como se o padre fosse no bar comprar bebidas e cigarro pra meninos usarem na catequese. Absurdo? "Não, é só pra eles saberem que cigarro e bebidas são coisas do mal. É um uso totalmente educacional, depois usamos isso para ministrar, não tem perigo deles se viciarem, é em nome de Deus!"

E outra, a união de jogos violentos com cultos religiosos pode abrir um precedente perigoso. Não vou me surpreender se ler nos jornais que crianças assassinaram seus colegas de classe e tinham na sua mochila um exemplar de Halo e a Bíblia. "Matei em nome de Deus", irão dizer. "Foi Deus que me ordenou a eliminar o mal das escolas", ou "Deus me treinou através de Halo e me enviou à missão: Bumm na professora!"

Pobres crianças. Uma coisa é eu sentir vontade de fazer algo que não devo, sabendo que aquilo é ruim, e juntar meus amigos para transgredir as ordens dos meus pais. Outra coisa é eu receber sermões de gente que nem deve conhecer o universo real dos jovens e seus games, apenas pra atrair mais seguidores, oferecendo o que eles querem, simplesmente, usando isso para transmitir a palavra de Deus.

Me lembrou a compra de votos, ou os showmícios, que existiam nas épocas de eleições."Dê ao povo o que ele quer, e ele ficará do nosso lado". No fim, é tudo pra aumentar a posição da sua igreja nas estatísticas de seguidores. A que preço? Me enviem suas ovelhas, para protegê-las dos lobos, diz o pastor...

O pastor está virando o lobo. Como a chapéuzinho vermelho, a ovelha vai olhar pro pastor inocentemente, pensando que é a vovózinha... "Que dentes grandes vc tem, vovó..."

21.9.07

Prima Vera


Esse dias vi uma frase boa...

Posso escapar do caos que vejo
Desistindo dos meus pensamentos de ataque.

Bateu legal.

Uma nova primavera está chegando. Ajude-a.

Seja feliz agora.

10.9.07

Fogo Muy Amigo



Já dizia o hippie que coincidências não existem. Mas na TV, elas acontecem. Quem é adepto do zapping como eu, sabe que às vezes você cai em uns canais que nunca assiste, mas que lhe atraem pelo frame que se congela no exato momento em que o zapping passa por ele. É um piscar de olhos. É fascinante!

Pois bem. Domingo passado me programei para estar às 22hs em frente ao Telecine Cult - o canal dos filmes e pessoas cults - para assistir, pela enésima vez, o filme Hair. Algo misterioso me atrai nele, sempre atraiu. Não sei porque, mas desde a primeira vez que vi o filme, me senti parte daquilo, como se na encarnação anterior eu tivesse sido um hare krishna ou um simples cérebro envolto a uma lótus dourada.

Depois de vibrar com o Chefe-Hippie Berger dançando em cima da mesa num banquete da alta sociedade enquanto grita o clássico "I Got Life", e de me arrepiar - pela enésima vez - com a sequência final do filme, sigo no zapping descompromissado e encontro algo raríssimo de se ver na TV por aqui: calma, não é pastor de igreja devolvendo dinheiro pro fiel, nem a Glória Maria dando bola dentro. O que eu vi foi muito mais raro. Eu vi a bandeira de El Salvador. Pra quem não sabe, é a terra natal desse vos escreve. É, sou gringo, clandestino, mano negra, ilegal. Mentira, eu sou bem legal, gente fina, com cidadania brasileira e tudo. Mas nasci lá.

El Salvador é um país da América Central do tamanho do estado de Sergipe, banhado pelo Oceano Pacífico, com belas paisagens, que era habitado pelos Maias antes do genocídio espanhol. É também um país pobre. Bem pobre, economicamente falando. Mas muito simpático, assim como os salvadorenhos.

Voltemos ao programa da tv. Tratava-se de um documentário sobre a presença do Exército Salvadorenho na coalizão que ocupa o Iraque desde que o Baby Bush se magoou. Confesso que não sabia que tinha primo meu lá no Iraque. Fiquei transtornado.

Nunca foi novidade que El Salvador sempre foi dominado pelo imperialismo americano. O país nunca teve muita opção. Pra se ter uma idéia, o dólar é moeda oficial no país, e por lá, a maior fonte de renda é o envio de dinheiro de salvadorenhos residentes nos EUA. Minha avó, que mora em Miami desde que eu me conheço por gente, é uma dessas pessoas que incrementam o PIB salvadorenho.

Agora, imagine eu, acabado de sair de uma sessão de Hair, com o espírito hiponga-cult lá no alto, vendo meus primos deixarem suas famílias pra dar a cara pra bater no Iraque. Só me veio uma pergunta: "Primo, que carajo estás haciendo en Iraq??"

O documentário tem um nome sugestivo - Guerra Alheia - e retrata muito bem todos os lados, os soldados, suas famílias, oficiais e políticos contra e a favor da participação salvadorenha nesse devaneio. Inclusive o presidente Antonio Saca, principal fantoch... ou melhor, aliado das medidas de insanida... digo, de atuação norte-americanas. Deu tristeza.

Por mais oprimido e pobre que seja um país, ele não pode se tornar um fornecedor de cobaias ou escudos humanos. É lamentável um país não ter alternativas econômicas e vender seus filhos para uma guerra sem fundamento, em troca de apoio político e financeiro. Já que os EUA querem bancar as idéias do presidente joselito Baby Bush, que banquem com americanos. De qualquer jeito vai sempre sobrar pro negro sobrevivente do Katrina ou pro matuto do interior como o nosso "genius genius" Claude Hooper Bukowski. Pior é que é um povo que nem sabe onde fica El Salvador, nem onde fica o Iraque, mas sabe que o Schwarzenegger já destruiu um desses países num de seus filmes. Haja paciência...

Ainda quero pesquisar melhor essa história. Não faça como Baby Bush e seus amigos. Não entre em guerra que não é sua. Muito menos leve outras pessoas nessa furada. Seu mundo agradece. Let the sun shine in!

Mas tudo bem, foi só uma coincidência mesmo...

5.9.07

Da série Rai e Cai


Nesse meio tempo...

Comecei um curso novo
encontrei com gente antiga
fui pra onde nunca estive
ver o que antes só ouvia

Consultei a benzedeira
empurrei com a barriga
repeti o mesmo verso
escrevi pra minha amiga

Deu vontade mas não fiz
ganhei tudo mas não quis
mesmo medo outra vez
deixei tudo pro outro mês

Descobri outro sucesso
evitei chegar mais perto
desmanchei uma promessa
me senti no lugar certo

Coisa velha ainda viva
o passado no meu peito
uma nova tentativa
dessa vez fazer direito

3.8.07

Notícias do Front



É guerra!

Pois é, as férias acabaram. A Babilônia está em chamas, a polícia voltou pro morro e a gente que se top top top. Pelo menos o frio de sampa já passou e as vaias continuam na moda. Mas não há como negar, a indefinição é o regime.

Só que uma boa formiga não foge à luta, dá a cara pra bater. Uma boa formiga ajuda a cigarra cantar, é lei universal.

Nesses tempos gelados, alguns amigos-cigarras tem cantado bastante, cada um na sua casa, pra não pegar friagem. Ainda bem, pois o verão musical promete.

Estou falando de amigos como o 2DF, gravando suas novas músicas, que vão ser mixadas - segundo informações vindas da imprensa canadense - no Totem Estúdio, pelo lama urbano Yuri Kalil. Essa combinação de Fuego Instigado promete, o bairro das Perdizes nunca mais será o mesmo.

Numa coincidência bacana, conheci o Totem no último mês de junho, nas gravações do disco do Fefê Gurman, o gourmet-vereador da Vila Mariana. Só com gente da massa, como Betão Aguiar, Marcelo Jeneci e Davi Moraes, o Soteropaulistano do Fefê me surpreendeu. MPB de excelente qualidade, com tudo pra agradar o grande público. Coisa de disco de ouro, apresentação no Faustão e trilha sonora da novela. Pop is beautiful.

O Seychelles também está em busca de Shangrilá, com músicas no forno prontas pra cair no gosto de quem torceu o nariz quando ouviu a banda pela primeira vez, ou seja, todo mundo. Já citei num post anterior, meus irmãos são loucos, mas nós amamos eles.

Outro que está com o forno funcionando é o Gustavo Garde, na trilogia do Ancestral do Amor Sangrento chegando de Carruagem. Vale a pena. É a melhor trilha sonora pro seu retiro espiritual, seja ele uma cachoeira no meio do mato ou um hotel de lazer na Av. Bandeirantes. Eu fico com a cachoeira.

Vale lembrar do pessoal do Eletrogroove - também conhecidos como "a banda dos Coelhos Duracell" - e suas jornadas instrumentais, que estão prestes a gravar cd e dvd, não nessa ordem. Meu voto é o dvd, pois só quem viu a banda ao vivo pode dizer do que ela é capaz. Cancele seu plano na Runner, minha leitora. Basta ir a um show dos caras. Na 3a. música suas gorduras localizadas já sumiram e você sai de lá saradinha.

Mando também boas energias para a Ana Cañas e seu primeiro disco, que está sendo gravado no melhor estilo formiga. Um dia após o outro e com um high-profile invejável. Ali o trabalho não promete, já é.

Enquanto isso, o Formiga Gump aqui segue correndo com seus pequenos passos, como o novo clipe do Pedra Branca, feito pela Tamago e lançado no início de julho. Tem mais coisa pintando por ai, por enquanto estamos só preparando o terreno pra próxima batalha. Sempre seguindo os ensinamentos do mestre Ioda: use a Força, meu jovem Padawan. Use a Força... e a internet também!

Go Formigas!

19.7.07

Férias



O responsável por essa coluna não publica nada há mais de um mês, pois estava de férias. Iria voltar essa semana, mas resolveu ficar de férias mais um pouco.

11.6.07

Despertadores...


Naquela noite, algo estranho ocorreu. Assistiu à novela e foi se deitar, como de costume. Sentou-se na cama e descalçou as chinelas. Mas, quando se deitou, veio-lhe à mente uma revelação. Todas as noites da sua vida fez exatamente o mesmo movimento antes de deitar-se. Tirava as chinelas. Deixava-as ao lado da cama. Deitava e dormia. Na próxima manhã, levantava e calçava as benditas chinelas para iniciar o novo dia. Deu-se conta de que todas as manhãs saía do quarto, ia até a cozinha e colocava água no fogo para o café. Só depois disso se dirigia ao banheiro para urinar e entrar no banho. Por quê nunca invertera a ordem, indo ao banheiro primeiro e depois à cozinha? Constatou que sempre fez tudo exatamente da mesma forma. Todo santo dia.

Nunca havia parado pra pensar nisso. Fazia as coisas, somente. Notou que, no banho, sempre lavava os cabelos antes de lavar o corpo e sempre cutucava a orelha direita antes da esquerda, nunca o contrário O banho durava 2 minutos - uma eternidade - o tempo exato para chegar na cozinha e tirar a água fervente pro café. As torradas e a manteiga também já estavam à postos, assim como o jornal na porta da casa. Viu que tudo o que fazia era igual, o dia todo. O nó na gravata, as meias, os sapatos. Há 23 anos trabalhava na mesma empresa. Usava o mesmo uniforme. A mesma maleta. Dirigia-se à sala de seu chefe e usava as mesmas palavras:

- Bom dia, Dr. Furtado!

- Bom dia!

Seu chefe sim havia mudado, pois o Dr. Furtado falecera há 5 anos, mas como o sucessor foi seu filho, mudou só o chefe, não a frase.

Sua esposa era a única mulher que teve em toda a vida. Ela cuidava da casa, que sempre foi a mesma. Não tiveram filhos nem animais de estimação. Não tinha muitas memórias. As únicas eram antigas, vagas. Ele criança, brincando no quintal da casa de sua mãe. Além disso, só lembrava de seu uniforme, do Dr. Furtado e de sua mulher.

Estava perplexo. Não podia aceitar aquilo. Tinha que mudar alguma coisa, fazer algo diferente. Percebeu que sua vida era inteiramente programável, uma rotina assustadora. Nos finais de semana, a mesma coisa. Acompanhava a mulher à feira, lia o jornal, assistia televisão esperando a nova semana começar. Todo dia tudo igual.

Revoltou-se num impulso que ele próprio estranhou, nunca havia reagido dessa forma. Fazia o que esperavam dele, somente. Nada inesperado. Lamentou profundamente a vida besta que levava.

Decidiu, naquele momento pôr um fim na sua melancolia diária. Não poderia continuar assim. Era melhor morrer, do que levar uma vida tão medíocre. Iria mudar sua rotina. A partir daquele momento, um novo homem iria a surgir. Um homem liberto, ousado e criativo.

Pensou em viagens pelo mundo, em ver outras paisagens, conhecer outras culturas. Lembrou de quando era criança e queria ir à Disneylândia. Imaginou campos verdes, onde iria correr livre, respirando novos ares. Pensou em praias desertas, lindas, cheias de coqueiros. Iria tirar o nó da gravata e mergulhar em novos mares, onde nadaria seguindo o seu coração, cheio de sonhos e sem compromissos.

A partir daquela noite seria um novo homem. Emocionou-se com tamanha revelação. Nunca havia pensado coisas como aquelas. Não acreditava como havia passado tanto tempo sem perceber tamanho marasmo, tamanha acomodação.

- Fui um covarde todos esses anos! Disse à mulher, que já dormia, ao seu lado.

Como se tivesse acordado de um sonho, olhou para a esposa dormindo, pensou bem, apagou o abajur e dormiu. Afinal de contas, amanhã o despertador toca às 6 e meia da manhã e ele não tem tempo pra perder com essas bobagens.

29.5.07

The Long Post


3 matérias publicadas nesses dias foram suficientes pra provocar o post mais longo até hoje. O tema é a indústria fonográfica. Por quê diabos fazer e viver de música se tornou um esporte radical, algo alcançável apenas para mágicos ou super-heróis?

Calma meu amigo, não se assuste com o tamanho do texto. Ative sua barra de rolagem e venha comigo.

A primeira matéria saiu no Estadão do último domingo, e dispara: "A indústria fonográfica está morta".

Ela trata do novo livro de Norman Lebretch, chamado Life and Death of Classical Music, lançado recentemente nos EUA e na Inglaterra. É sobre música clássica, mas podemos aplicar suas idéias a qualquer outro gênero. Lebretch é um crítico feroz à forma de comercialização da música, e parece vibrar de alegria ao constatar que a "Indústria da Música" está agonizando, que as majors não sabem o que fazer pra sobreviver e que o artista e fã cada vez estão mais próximos, sem a presença de intermediários e sem a necessidade dessa indústria. Um fato engraçado é que o próprio autor considera sua análise do mercado uma "autópsia pos-mortem". Que lindo!

Já na edição de segunda-feira do mesmo Estadão, meia página de destaque para o lançamento do novo disco da Vanessa da Mata. Matéria bacaninha. Lá no final dizem que a repórter viajou à convite da gravadora. Creio que pagar pra repórter falar bem do "seu" artista é uma das poucas alternativas que restam pra conseguir vender discos. Mas vale a pena, afinal, a Vanessa da Mata está em alta, é queridinha do grande público, teve o mega-hit do ano passado, até de cabelo joãozinho ela é linda. A matéria enche a bola da menina, das novas músicas, do disco mais maduro, tudo perfeito! Agora vai, Habemus Sperare! Será?

Como diria a própria Vanessa, ai, ai, ai...

Porém, quero destacar 2 iniciativas da Sony/BMG - da qual a Vanessa da Mata é contratada - e que me chamaram a atenção. A primeira é que vi no Youtube o username da gravadora. Ou seja, é ela própria que publica os vídeos oficiais de seus artistas, com um padrão de qualidade garantido por eles e pelos autores, ao menos é o que parece. A outra é o lançamento da Vanessa sair no formato EP, com apenas 5 músicas (acreditem, escolhidas pela cantora!) e com preço - impresso na capa - de R$ 9,99! E quem quiser as outras músicas pode adquiri-las no próprio site da gravadora. Achei interessante a proposta, que pode não durar muito, mas que pelo menos é uma alternativa bem melhor do que lançar CDs com proteção anti-cópias, por exemplo.

Com tudo isso na cabeça, recebo do meu grande amigo Thomaz, baterista do 2DF e lenhador canadense, uma matéria que saiu na Superinteressante desse mês, chamada "Mais criatividade. Menos patrões." Escrita pelo André Barcinski, a matéria se aprofunda em alguns "casos de sucesso" dessa nova era do consumo de música. Aponta muito bem que a música não está em crise. Quem está em crise é a indústria da música. Ainda mostra que nunca se ouviu tanta música no planeta, nem se vendeu tanto ingresso para shows. Exatamente como Lebretch, decreta o fim dos intermediários e cita duas fontes importantes: Os livros "The Future of Music", de David Kusek e Gerd Leonhard, e o já clássico "The Long Tail: Why the Future of Business is Selling Less of More", de Chris Anderson.

Não conheço a fundo o livro da dupla Kusek e Leonhard, mas fiquei com vontade de lê-lo, por abordar a ascensão dos artistas e da música nos novos formatos. Já o Long Tail trata do caminho lucrativo da informação através dessa web que amamos e para os negócios que queremos. Resumindo, esses livros indicam os dois pilares para esse futuro: O artista e o público.

Era aqui que eu queria chegar: finalmente, estamos vivendo o início de uma época onde o artista é quem decide o que fazer com sua obra. Sem a necessidade de gravar suas músicas num estúdio imponente, nem de milhões de fãs pra fazer "sucesso", os artistas independentes ressurgem, mas agora independentes no sentido real da palavra, e não apenas para fazer frente a queridinhos de multinacionais.

Agora, vale mais o produzir a si próprio, e produzir do seu jeito, cada um dono do seu nariz. Claro que ninguém faz nada sozinho, mas a vovó já dizia que é melhor trabalhar com pessoas de confiança, que conheçam o assunto e principalmente que entendam e respeitem o trabalho do artista. E não com aventureiros que vislumbram um mundo de sonhos do show business.

Mas vem a pergunta: "E depois? O que fazer depois que mostrei o dedo pras gravadoras, gravei meu CD por conta própria e estou com prateleiras lotadas dele aqui na minha casa, só a mamãe elogiando?"

Calma, meu garotinho juvenil. Aí valem as dicas da cauda longa.

Primeiro, descubra seu público. Não importa se ele é pequeno, se é só sua família, ou se sua comunidade no orkut tem algumas centenas de camaradas. O importante é descobrir quem são essas pessoas e quais suas características.

Feito isso, fale com elas da maneira mais direta possível. Mostre que você sabe do que elas gostam e que você faz o que elas gostam. A web funciona pra isso e é uma boa maneira, se não a mais eficiente, por permitir um contato direto com quem se interessa pelo seu trabalho e por não ter custos elevados. Se houver uma verba de investimento, melhor ainda. Um bom site não faz mal a ninguém.

Da mesma forma, idéias criativas não precisam mais de horário nobre na televisão pra serem reconhecidas. Quem gosta de seu trabalho, além de fã, vira automaticamente um divulgador. E na maioria dos casos, um divulgador extremamente eficiente. Propaganda boca-a-boca sempre funcionou e sempre funcionará, pois vem com voto de confiança.

Depois de descobrir seus fãs e falar com eles, vem a parte boa. É hora de convidá-los para seus shows e mostrar ao que veio. Se tem algo no mundo da música que não será susbtituído - a não ser que você queira, e, nesse caso, não me chame - é a presença física, a energia de um artista expressando seu trabalho ao vivo. Sua música é a sua Hattori Hanzo, o sabre de luz do jedi, o gol mil do Romário. Não tem igual.

A matéria do Barcinski cita alguns exemplos de como isso dá certo. Já o meu exemplo preferido é o do Gnarls Barkley, pelas boas músicas e pelas idéias audiovisuais, como um clipe bem bacana e o Chewbacca tocando bateria. Uma idéia que parece besta, mas mais besta sou eu, que não pensei nisso antes...

Vale a pena dar uma olhada, de repente cai um caqui na sua cabeça e alguma idéia surge. Já que caqui tem se dado bem com música ultimamente, por quê não tentar?

Depois a gente conversa mais dessas coisas...

24.5.07

Meus irmãos são loucos

Ontem tive o privilégio de ouvir as músicas do novo cd do Seychelles, com o Argentino e o Fábio Pinc lá no estúdio 12 Doláres. Não tem como não gostar.

Seguindo com experimentalismo e psicodelia nas composições, a galera acertou uma boa fusão entre as idéias muito loucas de sempre, uma sonoridade mais madura e riffs que dão uma flertada com o indie-pop, sem abusos. Tem tudo pra cair no gosto do povo!

Quem vai nos shows já conhece a maioria das músicas, mas tem surpresa mesmo pra quem acompanha a banda mais de perto.

É isso. Não posso falar mais, prometi sigilo.

Em breve, pertinho da sua casa!

22.5.07

Cartões Postais


Ontem, 21 de maio, foram lançados oficialmente os documentários integrantes do projeto Documentários dos Bairros de São Paulo, iniciativa da Prefeitura para revisitar a história dos tradicionais bairros da cidade. Os documentários serão incluídos no acervo dos CEU's, de Escolas Municipais, da TV Cultura e Canal Futura.

Ótima iniciativa. Já que muitos falam da memória curta do brasileiro, nada melhor para as novas gerações tomarem contato com a história dos bairros onde nasceram e vivem. Dentre os 26 bairros selecionados, sinto a ausência do Ipiranga, bairro onde me instalei quando cheguei em Sampa. O local onde o Pedrinho proclamou a chamada Independência do país merecia melhor homenagem.

Uma menção especial para o curta Vila Prudente - Um Gigante Adormecido, de Alexandre Carvalho, diretor da Tamago. A parceria entre a Tamago e o Alê vêm desde o curta Portas da Cidade, também um documentário sobre a São Paulo dos anos 40 e 50. O filme ganhou diversos prêmios, no Brasil e no exterior, e foi exibido na TV Cultura esse ano (!), no aniversário da cidade. Vale a pena.

O Alê dirigiu também o clipe Nosso Lugar Invisível, da banda paulistana Fuga, em 2006.

Outro documentário que participa do projeto dos bairros é Capela do Socorro: O Balneário de São Paulo, de Pedro Gorski, amigo de breves, mas bons encontros.

Espero que outras iniciativas dessas surjam, mas que, acima de tudo, esses filmes sejam utilizados de fato, e não apodreçam em armários de escolas mal-conservadas.

Agora, bairro bom, mas bom mesmo, é a Vila Mariana.

17.5.07

Inspiração...

Muita gente me pergunta: "que diabos é esse Intiprod, Inticom que você usa?"

Respondo: são apenas apelidos para o David virtual, inspirados na palavra Inti, que significa Sol em quechua, a lingua original dos Incas.

Viajou? Então te ajudo.

Para o povo Inca, o Sol era a fonte de toda existência, a Grande Criação e o Espírito Supremo. Era chamado de Inti, antes de serem dizimados pelos espanhóis. Mesmo assim, essas antigas tradições são mantidas não só no próprio Peru, como expandidas em outros países da Ámerica, inclusive no Brasil, pra felicidade desse que vos fala. Falaremos mais desse assunto outro dia.

Só sei que achei bonita toda essa história, e por isso resolvi usar o prefixo Inti para as minhas aventuras pelos blogs e flogs da vida. Devaneios...

O resto, os sufixos, são só abreviações relacionadas com as áreas por onde passeio. IntiPROD(produções), intiCOM(inti.com), intiBLOG(hmm, boa idéia hein?), intiOQUEVIERNATELHA.

Devaneios...

16.5.07

Por que é proibido pisar na grama?

A frase que dá título a este espaço é de um texto de 1971, do grande mestre Jorge Duílio Lima Meneses.

Na minha opinião, um texto marcante e atual, que demonstra bem os diversos anseios de um indivíduo, as paixões e a constante busca pela felicidade. O lamento (entidade onipresente nessa vida), as carências e as indagações diante de privações das coisas mais simples, como um pé descalço num gramado acolhedor.

Com destaque para o início do texto, o início de tudo: Acordei. Abri meus olhos. Já é um bom começo.

Outro ponto importante é a busca. Preciso de muitas coisas, um grito de gol, cuidar dos meus bisnetos, matar saudades e de gente que me ouça. Você também? Vida dura essa...

Por tudo isso, elegi esse texto como referência para os tópicos a serem tratados aqui. E tem muito assunto!!!

Com vocês, "Por que é proibido pisar na grama?", de Jorge Ben:

Acordei com uma vontade de saber como eu ia
E como ia meu mundo
Descobri que além de ser um anjo, eu tenho cinco inimigos
Preciso de uma casa para minha velhice
Porém preciso de dinheiro pra fazer investimentos
Preciso às vezes ser durão, pois eu sou muito sentimental, meu amor...
Preciso falar com alguém que precise de alguém prá falar também
Preciso mandar um cartão postal para o exterior, para o meu amigo Big Joney
Preciso falar com aquela menina de rosa, pois preciso de inspiração
Preciso ver uma vitória do meu time, se for possível, vê-lo campeão
Preciso ter fé em Deus e me cuidar
E olhar minha família

Preciso de carinho pois eu quero ser compreendido
Preciso saber que dia e hora ela passa por aqui
E se ela ainda gosta de mim...
Preciso saber urgentemente:
Porque é proibido pisar na grama?

15.5.07

Preciso de dinheiro pra fazer investimentos...

E quem não precisa???

Os meus investimentos são feitos, no lado profissional, na Tamago Audiovisual, em parceria com meu amigo Cauê Ueda. A Tamago possui dois braços, um voltado para cinema e vídeo, com especialidade em videoclipes, shows, vídeos institucionais e curta-metragens. O outro braço da Tamago é voltado para a consultoria em elaboração de softwares e usabilidade. Pra mim uma área nova, mas que vêm me agradando muito. Estamos só começando...

Mas não é só isso. Paralelamente, sou o contato comercial da Kzulo Design, agência de publicidade da qual meu grande amigo e cumpadre Alexandre Moraes é Diretor de Arte. Jah live!!

E, como ninguém é de ferro, seguimos com nossos amigos músicos, compositores e produtores musicais, divulgando, vendendo shows e ajudando do jeito que dá. Agora mais por hobby e por diversão. Acreditem, é muito mais legal assim.

Isso sem falar nas outras idéias e parceiros com os quais vamos tramando a revolução em silêncio. Podemos dizer com certeza que a revolução não passará na TV. Será via web mesmo.

Em tempo: Tamago (pronuncia-se tamagô) é uma palavra japonesa, quer dizer Ovo.

14.5.07

Acordei com uma vontade...

... de começar, finalmente, o blog. Fazia tempo que estava com tudo na mão, uns amigos até me dando bronca que ainda não tinha começado, muitos outros blogs, fotologs e afins me inspirando. Mãos à obra.
Não vai ter jeito, será multimeios. Um pouco dos meus interesses: vida, comportamento, cultura, e mais o que vier na telha.

Vamos ver no que vai dar!!!

Bjos!

David