
Tô de saco cheio de perguntar:
"Quê que tem na sopa do Nenê??"
"Será, que tem marmelada?? Será que tem couve??"
@$&#$!&$@&@#!!!
Chega!!
Música pra criança é isso aqui ó!!
Ah, se no meu tempo tivesse isso!!
Valeu pela dica, Nirso! O Theo e o pai dele agradecem!!
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27.2.08
Quer Saber?
25.2.08
Merchan Oscar

As coisas estão rápidas demais. Ainda nem me acostumei a viver nesse planeta sem o Fidel Castro no poder, e já soltam outras novidades estarrecedoras, algo que só seria capaz de imaginar no mais maluco dos meus sonhos.
Quem já assistiu a entrega do Oscar sabe que eles adoram interromper os agradecimentos dos premiados. É oito ou oitenta, se o cara vai lá e diz um mero 'obrigado', como o Ethan Coen (ou seria o Nando Reis?) na noite de ontem, já dizem que ele é antipático, frio, etc. Agora se ele está em êxtase, comemorando com piruetas e beijos pro mundo todo, limam o cara sem dó. Sobe a música, cortam o microfone e um abraço. Até o ano que vem.
Contudo, ontem, ao receber o Oscar de Melhor Música (como se alguma daquelas músicas merecesse prêmio), a cantora Marketa Irglova foi interrompida enquanto agradecia, como é de praxe há 80 anos. A novidade esteve na volta do intervalo, quando o apresentador Jonh Stewart anunciou a garota novamente, para deixá-la continuar seu discurso de agradecimento! Algo inédito, e difícil de acreditar que foi gratuito. Deve ter algum interesse maior atrás disso tudo, pensei. Ou então a menina é bisneta do presidente da Academia. Senti um cheirinho de jabá na história, e jabá no prêmio de melhor música não cheira bem.
Já estava desconfiado, quando veio a segunda supresa da noite. O Oscar agora tem merchandising! Foi velado, mas ocorreu, duas vezes. Primeiro, ao fazer mais uma de suas hilariantes piadas, o apresentador brinca ao dizer que estava assistindo Lawrence da Arábia do seu iPhone. Eis que então, a câmera oficial da apresentação dá um close no logotipo da Apple! Não acreditei. Era demais pra ser verdade.
Mas ainda não era suficiente. Na volta de um intervalo, o apresentador, em mais uma tremenda confusão da pesada, apareceu jogando o Nintendo Wii no telão! Será possível?
Isso sem falar da propaganda anti-Bush, que ficou escancarada durante a premiação. Essa sim valeu, mas acho que colocar soldados americanos no Iraque pra apresentar um dos prêmios foi sentimental demais. Mas tudo bem, quem te pôs no mundo que te crie.
Agora, quanto será que vale uma inserção de merchan na entrega do Oscar hein? Já pensou se a moda pega? Vai ter fios e cabos elétricos pra mais de 80 países, crédito fácil e plano de saúde vendendo durante o prêmio de melhor ator. Coadjuvante, pois com os merchans dominando os programas, qualquer um deixa de ser o protagonista da história.
Quem diria. O Fidel não está mais lá e o Oscar anda vendendo espaço publicitário. E deixando as pessoas agradecerem. Tenho medo do que está por vir.
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22.2.08
Go Roni!

Ontem recebi um daqueles telefonemas que a gente adora. De um vendedor. Devo adiantar que acho essa umas das piores invenções dos gênios do marketing, mas é algo que não tem mais volta. Viramos reféns dos operadores de telemarketing. Mas tive sorte, pois não se tratava de nenhuma dessas máquinas humanas às quais estamos acostumados.
Quem me ligou foi o Roni. Apesar de eu nunca ter falado com o Roni, ele me disse que estava fazendo um pós-venda (nunca tinha recebido um 'pós-venda', é emocionante!). Conversamos como se fôssemos amigos de longa data. Estava à vontade, o Roni. Sabia muito sobre mim, sobre minha mulher e meu filho. Éramos intimos. Obviamente, ele tinha uma ficha que descrevia tudo sobre mim, e eu não tinha a ficha do Roni. Estava em desvantagem. Era eu nu, contra o Roni armado até os dentes.
A novidade é que o papo fluiu bem. Não tive vontade de encerrar a conversa o quanto antes, coisa que sempre faço. Pensei no meu sogro, um expert na arte de dispensar vendedores. Ao atender um telefonema com um telemarketeiro do outro lado da linha, ele diz em milésimos de segundo: "obrigadonãoestouinteressadotchau!", e desliga na cara do operador.
Mas não se desliga na cara do Roni. Ele te cativa. O que eu mais gostei é que ele não tentou me vender nada. Conversou como se conversa com um amigo, queria saber se eu estava bem, sem parecer falso ou piegas. Fez uma pesquisa, pensei. Claro que ele me deu conselhos, como contratar um novo plano - mais barato(!) - ou qual hospital eu devo ir caso eu pegue uma gripe. Mas nessa hora eu já estava prestes a convidá-lo para um churrasco aqui em casa, ou pra tomar uma cerveja no bar da esquina. Gente boa esse Roni.
À noite, fui contar essa história pra minha mulher. Não é que o Roni tinha ligado pra ela também? E não é que ela também estava com a mesma impressão que eu? Genial, o Roni. Conquistou a familia toda. Fez até nós, que não acreditamos muito em doenças, nos sentirmos seguros. Ah, se todos os vendedores fossem assim. Iriam vender muito mais. Sem falar nos convites pra churrascos.
O engraçado é que essa semana eu já estava com o Roni na cabeça. Já estava pensando como seria quando o Roni viesse aqui pra casa, um bom lugar pra ele ficar. Calma, minha amiga leitora, não é nenhum impulso gay. Não estou falando do Roni vendedor de plano de saúde. Aí também seria demais!
Estou falando do presente que ganhei do ilustrador Alex Senna. O Alex é um artista de primeira e daqui a um tempo você vai ouvir falar muito dele. No começo da semana ele fez um leilão de um dos seus trabalhos e pra minha grande alegria, levei. E o nome da ilustração é esse, Roni.
Se trata de uma homenagem - ou não - ao palhaço fast food. Um belo retrato da sua situação dos tempos de hoje. Ao contrário do seu xará do plano de saúde, está meio acuado esse Roni. Já não faz mais sucesso quanto antes. Anda meio sozinho, recebendo muitas críticas. Ele sabe que ajudou algumas pessoas a precisarem de planos de saúde. Genial, o Roni.
Agora, em meio a minha satisfação com os Ronis, uma coisa é certa. Pobre o povo que precisa de fast-food industrializada e de planos de saúde privados.
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19.2.08
Onde os Fúteis Não Tem Vez
Nos últimos dias, alguns acontecimentos do nosso cotidiano evidenciaram o ponto em que o homem chegou. Não digo do homem idealizado, o ser que supostamente evoluiu do macaco. Falo do homem que está aqui perto, o nosso vizinho, o cara que está do outro lado da rua, ou mesmo seu marido, ou eu mesmo. Qualquer um. Estamos loucos.
Seja o cara que matou a mãe por que ela estava possuída, o pai dirigindo na contramão da estrada ou o garoto invadindo o posto de gasolina e levando tudo o que (não) vê. A repercussão desses fatos está me revelando algo. A barbárie - não há outra palavra - está à nossa frente. Ou melhor, está dentro da gente.
O que levou o pai de um menino de 3 anos a colocar seu carro numa roleta russa na estrada? Foi a briga com a namorada? Foi o demônio que fez a mãe do rapaz brigar com ele? Foi o lança-perfume que fez o moleque desmaiar e invadir nossas casas? Sim, por que ele invadiu não apenas um posto de gasolina, ele invadiu a casa de todos nós, de todos aqueles que querem 'vencer' na vida, sustentar seus filhos e vê-los bem sucedidos.
Todas essas ocorrências tem algo em comum. A futilidade. Não há argumentos para sustentar quaisquer desses atos, nem muitos outros que vemos diariamente nos jornais ou em nosso bairro, com nossos próprios olhos. O problema é que estamos cada vez mais fúteis.
Não basta termos um bom emprego, nem uma boa família, nem um carro bacana, nem encontrarmos Jesus. Queremos mais, quereremos ser mais que os outros, não estamos satisfeitos e nunca iremos estar. O preocupante é que não sabemos os nossos limites, nem onde iremos parar. Só paramos quando é tarde demais, quando encontramos um caminhão em nossa frente.
Estou cansado de ver carro importado atravessar o farol vermelho, de ver adolescente descontar na mãe o fora que levou da garota da escola ou do status social de uma pessoa ser mais importante do que o que ela pensa sobre o mundo que vive. Fúteis, todos nós.
Temos medo de perder o pequeno império material que construímos, temos medo de não sermos populares, de fazer papel de bobo, temos medo de nos trocarem por outro. Pra 'defender' isso, somos capazes de tudo.
Até mesmo o mais bonzinho dos homens vira uma fera, passa por cima dos outros e dos seus princípios quando se vê ameaçado, ou quando as coisas não saem como ele havia planejado. Ninguém admite, mas como diria a sábia letra do Moreno Veloso, somos da filosofia do 'eu sou melhor que você'.
Em meio a todas essas tragédias cotidianas, podemos notar como deixamos a nossa paz de lado por coisas essas bobagens. Como nos importamos com coisas bestas, como entramos em brigas que não são nossas, e o quanto isso não nos leva à nada. Tudo pelo leviano prazer de ter razão. É melhor estar certo do que ser feliz.
Isso me lembrou do recente filme "Onde os Fracos Não Tem Vez", dos irmãos Joel e Ethan Coen, e do excelente vilão Anton Chigurh.
Também sou da opinião de que o personagem de Javier Bardem é um anjo do Mal, um ser invisível, que vaga pelo mundo sem ser importunado, apenas lembrando as pessoas que elas têm o que temer. Talvez o filme incomode tanto no seu desfecho por que nos traz aos dias de hoje. De fato, o mal não é punido. Ele está no meio de nós. E quanto mais você sair da linha, mais ele estará por perto para lhe cobrar. Ele faz parte de nossa Natureza.
Para mim, a melhor frase do filme é, quando diante da próxima vítima, o anjo malvado pergunta: 'Se a regra que você sempre seguiu te trouxesse até aqui, que valor ela teria?'
Por mais macabro que o Anton Chigurh possa parecer, eu reforço que ele é um anjo. Pois só um anjo para nos dar tão importante aviso. A regra que temos seguido – a regra da perda, de que algo me falta, a regra da futilidade – nos trouxe até aqui. Nos trouxe ao sofrimento e à barbárie.
Por isso, acho que vou seguir o aviso do Chigurh e mudar a minha regra. Chega. Já tenho coisa suficiente pra resolver, não preciso arrumar mais. Se precisar de ajuda me fale. Eu lhe ajudo, mas sofrer e fazer drama eu não vou. É minha escolha.
Assim como outro 'felizardo' que cruza Anton Chigurh. Ao ser obrigado a fazer uma escolha, pergunta: 'O que eu vou ganhar com isso?'
E o santo Chigurh responde:
- Tudo.
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16.2.08
Aforize!
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"Pré-julgar é limitar, que é o mesmo que separar, que é o mesmo que não existir."
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