
Uma matéria do New York Times destaca um fato que eu nunca poderia imaginar, nem nos mais escatológicos dos filmes B. Igrejas protestantes dos Estados Unidos (onde mais?!), com o objetivo de levarem mais jovens para dentro de seus cultos (ui!), têm promovido sessões do famoso e sanguinolento jogo Halo dentro das igrejas.
Segundo a Organização cristã americana Dare to Share, a idéia de utilizar o jogo para congregar os jovens é aproveitar as situações do game como uma base para discussões do bem e do mal. Enquanto isso, crianças de 12 anos vêm se deliciando com a possibilidade de matar virtualmente. Lembremos que a classificação indicativa para o Halo nos Estado Unidos é de 17 anos. Tim Foster, o tal garoto de 12 anos declarou o porquê do sucesso do game: "Simplesmente, é divertido explodir pessoas".
Ok, não será banindo os jogos de ação e violência que teremos a salvação do mundo, mas fiquei com uma pulga atrás da orelha. Primeiro que a igreja adquire e libera os jogos pra molecada que não tem idade para fazê-lo por conta própria. É como se o padre fosse no bar comprar bebidas e cigarro pra meninos usarem na catequese. Absurdo? "Não, é só pra eles saberem que cigarro e bebidas são coisas do mal. É um uso totalmente educacional, depois usamos isso para ministrar, não tem perigo deles se viciarem, é em nome de Deus!"
E outra, a união de jogos violentos com cultos religiosos pode abrir um precedente perigoso. Não vou me surpreender se ler nos jornais que crianças assassinaram seus colegas de classe e tinham na sua mochila um exemplar de Halo e a Bíblia. "Matei em nome de Deus", irão dizer. "Foi Deus que me ordenou a eliminar o mal das escolas", ou "Deus me treinou através de Halo e me enviou à missão: Bumm na professora!"
Pobres crianças. Uma coisa é eu sentir vontade de fazer algo que não devo, sabendo que aquilo é ruim, e juntar meus amigos para transgredir as ordens dos meus pais. Outra coisa é eu receber sermões de gente que nem deve conhecer o universo real dos jovens e seus games, apenas pra atrair mais seguidores, oferecendo o que eles querem, simplesmente, usando isso para transmitir a palavra de Deus.
Me lembrou a compra de votos, ou os showmícios, que existiam nas épocas de eleições."Dê ao povo o que ele quer, e ele ficará do nosso lado". No fim, é tudo pra aumentar a posição da sua igreja nas estatísticas de seguidores. A que preço? Me enviem suas ovelhas, para protegê-las dos lobos, diz o pastor...
O pastor está virando o lobo. Como a chapéuzinho vermelho, a ovelha vai olhar pro pastor inocentemente, pensando que é a vovózinha... "Que dentes grandes vc tem, vovó..."
23.10.07
Halo Jesus!!
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Um comentário:
continuo achando que vc deveria escrever cada vez mais e mais!
beijo
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