
Fatos.
Nesta segunda feira, o canal por assinatura AXN anuncia o início da 4a. e nova temporada de Lost. Ao mesmo tempo, a Globo transmite na TV aberta a 3a. temporada da série, pobrezinha. Ainda não fui contagiado por esse vírus que assola o mundo, o que me exclui de diversas rodas de bar e faz alguns me olharem com desprezo. Mas de uma coisa eu sei. Nenhum lostmaníaco que se preze irá assistir, hoje, o novo capítulo pela primeira vez.
Um dia após a estréia da 4a. temporada nos EUA, que foi há um mês exatamente, alguns amigos se reuníram para assistir o episódio. Dias depois, uma reportagem do caderno Link, do Estadão, anunciava a "nova televisão", ou seja, o seu novo formato, feito pela web, principalmente pelo Youtube, e pelos internautas. O mote da matéria era justamente o Lost, e o estratagema que permitiu que milhões de pessoas pudessem assistir o episódio recém-lançado no dia seguinte. E devidamente legendado. Pobre Globo.
Naquela mesma semana, resolvi pesquisar como andava a audiência nessa "nova TV". Pra minha surpresa, o vídeo mais assistido no Youtube era de uma discussão entre os participantes do Big Brother Brasil. Uma das diversas versões do vídeo tem mais de 665 mil acessos. Podemos considerar que, no total, mais de um milhão de pessoas se deram ao trabalho de ir ao site, digitar os tags e assistir a mais de meia hora de discussão entre os confinados. Um milhão.
Susto.
Hoje, 03 de março, entre os vídeos mais vistos do Youtube nacional, estão as obras: 'Chaves Maconheiro", "Mc Creu", "Vai Wilson", "Vai Tomar no Cu" e "Fala Sônia".
Um vídeo tosco, não-oficial do grupo Cansei de Ser Sexy assume o posto de vídeo mais visto desde que o Youtube surgiu. Já são quase 85 milhões de acessos.
Fatos.
Semana passada, no blog do Daniel Piza, uma faísca soltou a fera que existe em cada telespectador. Foi só ele mencionar que a TV melhorou nos últimos tempos, devido às boas opções na TV por assinatura, o fórum já virou não um debate, mas um combate sobre 'n' coisas, ditadura, diferenças sociais, divergências religiosas...
Não falem mal da minha TV. Não fale bem da TV dos outros.
Uns reclamam que a TV é pouco interativa. Outros reclamam que ela aprisiona. Seríamos então vítimas da TV? Quer dizer então que nós, pobres coitados, somos reféns da televisão, reféns do Pedro Bial, da Luciana Gimenez, do Chaves?
E a "Nova TV" então? Ah, essa sim nos dá liberdade. Tenho tanta autonomia que posso ver uma porta com peitões brigar com um pitbull confinados dentro de uma casa quantas vezes eu quiser! Ou ver uma moça me mandar àquele lugar 535 vezes em 3 minutos. Isso sim, é liberdade, é interatividade!
Não consigo pensar outra coisa, senão na insanidade que é culpar a TV. A nova ou a velha, tanto faz. Quem faz a TV somos nós, através do uso que damos a ela. Se o conteúdo das TVs, abertas ou fechadas é ruim, é porque nós queremos assim. Segue o nosso consentimento. Dizer que a culpa é da TV é admitir ser o mais alienado dos homens, se é que pode-se chamar tal ser de humano.
O conteúdo está à disposição, na sua maior parte, livre. O grande problema é o que fazemos com essa liberdade. Nós definimos o que iremos consumir, e mais, com que profundidade iremos consumi-lo. Quer ver BBB na net? A ordem é ser superficial? Boa sorte.
Não digo aqui para não se divertir na web, ou para não rir com baboseiras despretensiosas. Só não venha dar uma de joão-sem-braço, dizendo que você não é responsável pelo que faz ou não sucesso, seja na TV aberta, fechada, onde for. Essa não cola mais.
Ainda na semana passada, numa conversa sobre conteúdo digital, ouvi uma pérola que resume bem a história: "Vende mais por que é tosquinho, ou é tosquinho por que vende mais?"
Se a TV é nova, o telespectador é velho. Tosquinho, tosquinho.
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3.3.08
Tv or not Tv?
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Um comentário:
algum jornal ou revista precisava te contratar pra escrever!
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