
Ontem recebi um daqueles telefonemas que a gente adora. De um vendedor. Devo adiantar que acho essa umas das piores invenções dos gênios do marketing, mas é algo que não tem mais volta. Viramos reféns dos operadores de telemarketing. Mas tive sorte, pois não se tratava de nenhuma dessas máquinas humanas às quais estamos acostumados.
Quem me ligou foi o Roni. Apesar de eu nunca ter falado com o Roni, ele me disse que estava fazendo um pós-venda (nunca tinha recebido um 'pós-venda', é emocionante!). Conversamos como se fôssemos amigos de longa data. Estava à vontade, o Roni. Sabia muito sobre mim, sobre minha mulher e meu filho. Éramos intimos. Obviamente, ele tinha uma ficha que descrevia tudo sobre mim, e eu não tinha a ficha do Roni. Estava em desvantagem. Era eu nu, contra o Roni armado até os dentes.
A novidade é que o papo fluiu bem. Não tive vontade de encerrar a conversa o quanto antes, coisa que sempre faço. Pensei no meu sogro, um expert na arte de dispensar vendedores. Ao atender um telefonema com um telemarketeiro do outro lado da linha, ele diz em milésimos de segundo: "obrigadonãoestouinteressadotchau!", e desliga na cara do operador.
Mas não se desliga na cara do Roni. Ele te cativa. O que eu mais gostei é que ele não tentou me vender nada. Conversou como se conversa com um amigo, queria saber se eu estava bem, sem parecer falso ou piegas. Fez uma pesquisa, pensei. Claro que ele me deu conselhos, como contratar um novo plano - mais barato(!) - ou qual hospital eu devo ir caso eu pegue uma gripe. Mas nessa hora eu já estava prestes a convidá-lo para um churrasco aqui em casa, ou pra tomar uma cerveja no bar da esquina. Gente boa esse Roni.
À noite, fui contar essa história pra minha mulher. Não é que o Roni tinha ligado pra ela também? E não é que ela também estava com a mesma impressão que eu? Genial, o Roni. Conquistou a familia toda. Fez até nós, que não acreditamos muito em doenças, nos sentirmos seguros. Ah, se todos os vendedores fossem assim. Iriam vender muito mais. Sem falar nos convites pra churrascos.
O engraçado é que essa semana eu já estava com o Roni na cabeça. Já estava pensando como seria quando o Roni viesse aqui pra casa, um bom lugar pra ele ficar. Calma, minha amiga leitora, não é nenhum impulso gay. Não estou falando do Roni vendedor de plano de saúde. Aí também seria demais!
Estou falando do presente que ganhei do ilustrador Alex Senna. O Alex é um artista de primeira e daqui a um tempo você vai ouvir falar muito dele. No começo da semana ele fez um leilão de um dos seus trabalhos e pra minha grande alegria, levei. E o nome da ilustração é esse, Roni.
Se trata de uma homenagem - ou não - ao palhaço fast food. Um belo retrato da sua situação dos tempos de hoje. Ao contrário do seu xará do plano de saúde, está meio acuado esse Roni. Já não faz mais sucesso quanto antes. Anda meio sozinho, recebendo muitas críticas. Ele sabe que ajudou algumas pessoas a precisarem de planos de saúde. Genial, o Roni.
Agora, em meio a minha satisfação com os Ronis, uma coisa é certa. Pobre o povo que precisa de fast-food industrializada e de planos de saúde privados.
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22.2.08
Go Roni!
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2 comentários:
É...pobre Roni....esse último! Porque o primeiro, pelo jeito, segue a frase do Rei: "Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte..."bom, você já sabe!Uma vez o Roni me vendeu algo que não caiu bem...no Mac Gosmald's, o lugarzinho que ele adora vender trecos engraçados...foi uma pena eu não ter o plano de saúde do seu outro Roni, pra me ajudar naquele momento...bom, mas tô vivo, né??!! Valeu, Roni!!
eu sou da turma do seu sogro...
falou que quer falar com a senhora ana paula e se lascou!
é a senha
ahahahahahaha
beijo
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